Seu guia brasileiro exclusivo na Europa Oriental

14.11.08

Fux

Transcrevo, a seguir, fragmento de texto autobiográfico de autoria do Ministro Luiz Fux, do Superior Tribunal de Justiça:

Meu nome completo é Luiz Fux. Nasci no dia 26 de abril de 1953, no Rio de Janeiro. Sou carioca da gema, como se dizia antigamente. Minha mãe é Lucy Fux. Meu pai chama-se Mendel Wolf Fux, imigrante romeno, brasileiro naturalizado. Meu pai é advogado. Ele era contador e, já depois da família crescida - eu tenho mais duas irmãs - resolveu fazer o curso de Direito, tendo o concluído com uma certa idade. Atua na área de contencioso Cível, normalmente em causas adstritas às justiças locais. Meu pai nunca advogou lá no Tribunal Superior. A minha família é de exilados de guerra, da perseguição nazista. Tenho origem judaica. Meu avô e a minha avó se reencontraram no Brasil, após três anos separados. A minha avó conseguiu vir primeiro, exilada, depois é que veio o meu avô. Chegando aqui, meu avô exerceu uma função bastante humilde. Ele vendia roupas para pessoas de classe baixa, nas populações mais carentes. Meu avós morreram com uns 92 anos. Eles foram muito gratos ao fato de terem sido bem acolhidos no Brasil. Tanto que o meu avô também assumiu uma entidade que era casa de acolhida de idosos, pessoas mais velhas desvalidas. Já minha avó era presidente de uma entidade que acolhia crianças abandonadas, o Lar das Crianças Israelitas.

Fonte: Faculdade de Direito da UERJ

Enxadrista romeno-brasileiro

O enxadrista brasileiro Alexandru Sorin Segal nasceu em Bucareste, na Romênia, em 1947. Formou-se em Economia pela Faculdade de Ciências Econômicas de Bucareste em 1970 e chegou ao Brasil em 1971, radicando-se em São Paulo. É Mestre Internacional desde 1977; árbitro internacional desde 1982; foi campeão brasileiro absoluto 3 vezes; campeão paulista absoluto 4 vezes; representante olímpico titular 5 vezes. Participou de mais de 900 Torneios Nacionais e Internacionais e é autor de Fundamentos de Tática, publicado em 1982 pela Livraria do Clube de Xadrez.

10.11.08

Judeus russos no Recife

Reproduzo, abaixo, fragmento do artigo Judeus celebram 100 anos no Estado, de autoria de Daniel Leal, publicado em 31 de agosto de 2008 pela Folha de Pernambuco:

Este ano está se comemorando os cem anos da presença judaica em Pernambuco. Na verdade, esse centenário é o da terceira leva judaica que chegou ao Nordeste brasileiro, já que os judeus encontram-se presentes na região desde 1503, com a sua chegada à ilha de Fernando de Noronha.

A comunidade judaica tem importância fundamental na história do Recife [na foto de ca. 1885, a Rua dos Judeus]. Na época da dominação holandesa, uma grande quantidade de judeus se estabeleceu no local. A formação da primeira comunidade judaica no Estado ocorreu no início do século 17, graças à liberdade religiosa do governo de Maurício de Nassau, época em que foi fundada, inclusive, a Primeira Sinagoga das Américas.

Com as perseguições aos judeus no século 20, novamente Recife se transformou em uma possibilidade de liberdade para o povo judaico. A partir do início do século 20, um grupo de imigrantes formou no Estado uma pequena comunidade, originando a que persiste até hoje, plenamente integrada, atuante social, cultural e economicamente.

E eles vieram de longe: o czar da Rússia, precisando responsabilizar alguém pela situação de calamidade em que vivia o povo russo, acabou conseguindo culpar os judeus pela desarmonia do país. “A atual comunidade judaica foi formada por refugiados vindos da Rússia. No tempo do Czarismo, a situação era difícil. Era grande a pobreza entre a população, os judeus não podiam estudar nem trabalhar e ainda eram mortos, vítimas do preconceito”, contou a presidente do Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco, Tânia Kaufman.

Anete Hulak é, hoje, um símbolo de todo o desenvolvimento judaico em Pernambuco. Aos 106 anos, lúcida, ela é a pessoa mais antiga da comunidade judaica do Estado. “Invadiram a Bessarábia (atual Romênia) e tivemos que fugir. Em 1924, viemos para o Brasil. No começo, ainda mantínhamos correspondência com os amigos que ficaram lá, mas, depois, com a guerra, perdemos o contato. Tive problemas com a língua, isso é natural. Eu vim porque tinha duas irmãs aqui. Agora, sou naturalizada brasileira”.

3.11.08

A cabala pelo romeno Moshe Idel

A escolha de Cabala, Cabalismo e Cabalistas como obra inicial da Coleção de Estudos Judaicos, uma parceria da editora Perspectiva de São Paulo e do Centro Internacional para o Ensino Universitário da Civilização Judaica, da Universidade Hebraica de Jerusalém, não vem por acaso.

Neste livro, organizado por Moshe Idel, filósofo israelense nascido em 1947 na cidade romena de Târgu Neamt, reúnem-se, em caleidoscópio e sob o prisma cabalístico, filosofia, religião, pietismo e ritual, a partir de textos relevantes da especulação mística no judaísmo, que remontam ao fim da Antigüidade e à baixa Idade Média, chegando aos dias atuais.

O presente volume, editado e traduzido neste ano de 2008 pelo bessarábio radicado no Brasil Jacob Guinsburg, não só introduz o tema com brilho e clareza, como proporciona uma visão profunda deste universo, de sua riqueza e da extensão de suas possibilidades, em ensaios de eminentes pesquisadores acadêmicos.

Fonte: Editora Perspectiva

26.10.08

Cemitério judaico vandalizado em Bucareste

Vândalos derrubaram mais de cem lápides num cemitério judaico de Bucareste, provocando prejuízos de quase 1 milhão de dólares, disseram fontes da comunidade judaica da Romênia na sexta-feira.

O ataque ao cemitério, que foi aberto no século 20 e contém túmulos de soldados judeus e vítimas do Holocausto, ocorreu durante o feriado judaico do Simchat Torah, em 24 de outubro.

"É pior do que em 1977, quando um terremoto destruiu muitas lápides", disse o líder comunitário Aurel Vainer.

A Romênia ainda tenta se conciliar com o seu papel no extermínio de judeus pelos nazistas durante a 2a Guerra Mundial. O país negou envolvimento no Holocausto, até que uma comissão internacional, presidida pelo Nobel da Paz Elie Wiesel, determinasse, em 2004, que as autoridades locais haviam matado até 380 mil judeus em territórios sob seu controle.

Em 1940, sob o regime pró-nazista do marechal Ion Antonescu, a Romênia se tornou aliada da Alemanha, mas mudou de lado ainda antes do final da guerra.

Fonte: O Estado de S.Paulo

25.10.08

Guinsburg

Jacob Guinsburg é um crítico de teatro, ensaísta e professor brasileiro, atual diretor-presidente da Editora Perspectiva. Nascido em 1921 em Rîşcani, na Bessarábia (hoje território da República da Moldávia), é considerado um dos grandes teóricos do teatro brasileiro, sendo também tradutor e editor de mais de uma centena de importantes obras de estética, teoria e história das artes e do teatro, tendo inúmeros artigos publicados no Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo. É o mais importante especialista em teatro russo e em língua iídiche no Brasil. Emigrou para o Brasil com seus pais em 1924, com três anos de idade, onde, anos depois, integrou-se ao intenso processo de movimentação política e intelectual no país, acompanhando de perto a renovação do teatro brasileiro. Escreveu na imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro sobre literatura brasileira, judaica e internacional, tornando-se colaborador constante em revistas da comunidade judaica com artigos no campo das artes, da literatura e, inclusive, da crítica teatral.

Fonte: Wikipedia

26.9.08

A Bessarábia é aqui

Reproduzo, abaixo, com o gentil acordo do autor, o artigo A Bessarábia é aqui, escrito pelo jornalista e consultor de empresas de comunicação Eduardo Tessler, de Porto Alegre, e publicado em 13 de agosto de 2008 no Terra Magazine:

Samuel Vainer, grande jornalista e dono do jornal A Última Hora, morreu jurando ter nascido no Brasil. No bairro do Bom Retiro, em São Paulo, mais precisamente. Nem em seu livro de memórias ele admitiu ter chegado ao Brasil no colo de sua mãe, quando já tinha dois anos.

Vainer era um gênio. Sabia que admitir o fato de não ter nascido no Brasil era nitroglicerina pura para seus adversários. Carlos Lacerda, o Corvo, tentou de todos os modos comprovar seu local de nascimento, para - amparado em uma esdrúxula lei - retirar a licença para a Última Hora funcionar. Samuel Vainer fez história ao entrevistar Getúlio Vargas em seu exílio voluntário, na Fazenda do Itú, em São Borja (RS). A confissão de Vargas foi o estopim para sua eleição na mais surpreendente campanha política que o Brasil já viveu, em 1950.

Meu avô José Tessler foi um selfmade-man de sucesso. Começou vendendo tecidos de porta em porta em Uruguaiana (RS). Depois evoluiu e comprou uma bicicleta. Os bons ventos o fizeram progredir até adquirir uma moto. O salto para uma pequena loja foi rápido. O velho José se aposentou como dono de um importante comércio em Uruguaiana "com cinco vitrines", orgulhava-se, e de uma fábrica de móveis.

José Tessler era judeu como Samuel Vainer. Nasceu na Bessarábia como Vainer. E morreu jurando ter nascido no Brasil, exatamente como o jornalista.

Ser imigrante no início do século passado, em um Brasil em crescimento, não era fácil. Havia barreiras de idioma, de cultura, de hábitos, de gastronomia. A Bessarábia é a região entre Ucrânia e Moldávia, onde o frio castiga de seis a oito meses por ano a terra e a temperatura chega a 30 graus negativos. O Brasil é tropical. O mais curioso nessa história é entender os motivos que fizeram Samuel e José mentirem uma vida inteira. Se Vainer falava em ter nascido no Bom Retiro, Tessler não titubeava e até mostrava a casa onde supostamente nascera em Porto Alegre. A certidão de nascimento atestava sua versão, mesmo tendo sido feita quando ele já tinha cinco anos de idade. O sentimento patriótico aparece nas pessoas quando elas menos esperam. Brasileiros que jamais tomaram caipirinha em seu país disputam garrafas de cachaça na Europa, como se fosse uísque 12 anos. Ser brasileiro é o que vale.

Nos Jogos Olímpicos de Pequim a graça é ser brasileiro. Quando o judoca Tiago Camilo subiu ao pódio para receber sua medalha de bronze, não havia nenhum sinal de bandeiras da Alemanha ou da Coréia do Sul (ouro e prata) na platéia. Mas o verde-amarelo estava por todas as partes. É o orgulho brasileiro, que Samuel e José também tinham, mesmo nascidos na Bessarábia.

O poeta Mário Quintana dizia que a mentira era uma verdade que tinha esquecido de acontecer. No caso de Samuel e de José, a ordem cronológica impedia de acontecer. Não bastava a vontade. Mas por acaso Samuel e José eram menos brasileiros que qualquer cidadão nascido na terra brasilis? Certamente não. A Bessarábia é aqui. Há brasileiros defendendo a Geórgia em Pequim. Outros jogaram por Tunísia, Croácia, Alemanha, Turquia e Portugal em recentes torneios. As fronteiras estão cada vez mais tênues. A identidade cultural superou a etnia. A Bessarábia é o Bom Retiro e é Uruguaiana.