Seu guia brasileiro exclusivo na Europa Oriental

18.6.09

Conexão São Paulo - Istambul

A Turkish Airlines começou a operar vôos entre Istambul e São Paulo em 05 de abril de 2009, duas vezes por semana. A partir de 26 de junho deste ano, os vôos terão a freqüência de três vezes por semana.

Tanto na ida como na volta, os passageiros farão escala de apenas uma hora e meia em Dakar (Senegal) para trocar de aeronave.

Dessa maneira, os brasileiros têm mais uma opção para chegar à Romênia. A 450km de Bucareste, o aeroporto de Istambul torna-se agora o mais próximo da capital romena a receber aviões (quase) diretamente do Brasil.

20.5.09

Líder comunista romena

A única mulher romena que foi capa do Time (em 20 de setembro de 1948), Ana Pauker, née Hanna Rabinsohn (1893-1960), neta de um rabino moldavo, foi chamada de “a mais poderosa mulher do mundo” por aquela revista, ao passo que na Romênia foi apelidada de "Stalin de saias". Hoje, raramente lembrada, é vista como mais uma peça na engrenagem do comunismo soviético na Romênia. A biografia de Robert Levy (Ana Pauker, the rise and fall of a Jewish Communist, University of California Press, 2001) transforma dramaticamente essa imagem, revelando uma mulher de força notável, muito mais dominada por conflitos e contradições do que pelo dogmatismo. Contando a história da juventude de Ana Pauker em um ambiente cada vez mais anti-semita, seu compromisso com a luta revolucionária e sua ascensão no movimento comunista romeno, Robert Levy não tenta esconder suas atividades, mas explora todos os contornos de sua personalidade complexa com base em dados encontrados na massa de documentos recentemente revelados.

12.5.09

A saga dos Bloch

A saga dos Bloch, desde Jitomir, na Ucrânia - onde no início do século XX o patriarca Joseph tinha uma gráfica - até o apogeu e a queda de um império de comunicações no Brasil, é narrada com forte veia literária por Arnaldo Bloch. No centro da epopéia, concentrando as qualidades e os defeitos da família, sobressai o caçula dos "irmãos Karamabloch", Adolpho, comandante carismático e tirânico, amigo de presidentes, patrono de artistas, mulherengo, jogador e visionário. Paixões, angústias ancestrais, projetos ambiciosos e lutas fratricidas se sucedem numa narrativa que dá voz aos próprios protagonistas. Com auto-ironia e emoção, Os irmãos Karamabloch (Companhia das Letras, 2008) expõe as luzes e as sombras de uma família que parece saída dos livros.

Fonte: contracapa da obra.

23.4.09

Epelboim

Leia abaixo fragmento de texto autobiográfico assinado por Abrahão Epelboim, retirado do projeto Memórias do Comércio na Cidade do Rio de Janeiro, uma iniciativa do SESC Rio desenvolvida pelo Museu da Pessoa:

Meu nome é Abrahão Joseph Epelboim, nasci em 1935 na cidade do Rio de Janeiro. Meus pais se chamam Saul Epelboim e Ana Epelboim. Tenho uma irmã e seu nome é Rosa Epelboim.

Meus pais chegaram ao Brasil por volta de 1927, fugindo do país de origem. Papai nasceu numa aldeia próxima a Bucareste, na Bessarábia, e mamãe próximo a um lugar sob domínio romeno, também na Bessarábia.

Infelizmente não conheci meus avós porque, sendo de origem israelita, meus pais eram imigrantes fugitivos. Apenas tenho conhecimento dos nomes deles.

Meus pais vieram morar no Rio porque receberam uma “carta de chamado” de um tio por parte de mãe, do qual eu levo o nome como homenagem.

Esse tio faleceu por causas desconhecidas logo depois. Não tinham conhecimento disso, pois ele se ausentou do Brasil, refugiando-se em Montevidéu, e perderam o contato com ele. As famílias de meus pais eram grandes, e durante a Segunda Guerra Mundial foram dizimadas, tanto por parte de papai como de mamãe.

Leia o artigo integral em Um Balcão na Capital. Na foto acima, a família do autor, em Teresópolis, 1970.

15.4.09

O bessarábio Vainer

Filho de imigrantes judeus da Bessarábia (na foto ao lado tirada em Gênova, às vésperas de partir para o Brasil, o pequeno Samuel aparece junto com a família), Samuel Vainer (1912-1980), ou Wainer, chegou ao Brasil ainda bebê, tendo passado a infância em São Paulo e estudado Farmácia no Rio de Janeiro. Abandonou o curso e chegou a vender falsos tapetes persas para sobreviver. Foi casado com Danusa Leão e, a partir de 1964 e nos três anos seguintes, passou a viver no Chile e depois na França por ter sofrido a cassação de seus direitos políticos. Com o exílio, seu jornal Última Hora definhou, e ele teve que vendê-lo em 1971. Posteriormente, passou a assinar a coluna São Paulo, como analista político da Folha de São Paulo.

Vainer foi o único jornalista sul-americano a cobrir o Tribunal de Nuremberg e estava em Jerusalém quando foi decidida a criação do Estado de Israel.

Sua autobiografia encontra-se registrada em Minha Razão de Viver (editora Planeta, 2005).

Fonte: Memorial da Fama

27.1.09

Da Transilvânia a Minas Gerais

De Halmeu a Belo Horizonte (Belo Horizonte, edição do autor, 2003) de Henry Katina, é um livro emocionante. Ao descrever sua trajetória desde a cidadezinha transilvana de Halmeu, na Romênia, até Belo Horizonte, o autor nos proporciona uma síntese da vida das comunidades judias do Leste europeu, de Halmeu especificamente, dos anos que vivenciou o esfacelamento de sua família e, em âmbito mais geral, da Europa, na II Grande Guerra. Além desse recorte aborda o período de desenvolvimento econômico do pós-Guerra vividos na Suécia, no Canadá e no Brasil.

Dividido em quatro grandes capítulos e pequenos subcapítulos, De Halmeu a Belo Horizonte conta a história de Henry, um menino de 13 anos, que, na noite de Pessach, tem a vida em família interrompida pela perseguição do regime nazista. Nessa luta, perde o pai, a mãe, o irmão caçula de 9 anos, os dois irmãos mais velhos, o cunhado e a sobrinha recém-nascida.

Dias depois da Páscoa, os judeus de Halmeu, juntamente com a família Katina, começaram a ser transferidos de modo definitivo para o gueto da cidade de Nagyszölös (atual Vynohradiv, na Ucrânia), onde começa o seu périplo de deportações, que só terminará em Bergen-Belsen, com a libertação do campo realizada pelas tropas inglesas.

Fonte: artigo De Halmeu a Belo Horizonte: Um Testemunho da Shoah no Brasil, de Raquel Teles Yehezkel, publicado pelo Arquivo Maaravi

18.1.09

Kaputt, de Curzio Malaparte

Quando o jornalista e escritor italiano Curzio Malaparte começou a escrever suas crônicas pessoais sobre a guerra no velho continente, que dariam origem ao livro Kaputt (Bertrand Brasil, 2000), a Alemanha nazista lançava-se à ofensiva sangüinária sobre o território soviético. Naquele terrível verão europeu, em junho de 1941, Kurt Erich Suckert, nome de batismo de Malaparte, era correspondente, na Ucrânia, do jornal italiano Corriere della Sera, e ostentava o salvo-conduto da temida cruz gamada que o autorizava a transitar entre as barbaridades perpetradas pelas tropas germânicas.

Envergando a farda de oficial italiano, Malaparte cobriu os combates das forças do Eixo nas frentes orientais, misturando-se a soldados, prisioneiros e guerrilheiros em cidades e aldeias arrasadas pelos canhões e bombardeios. Transitou pelas ruas do Gueto de Varsóvia, apinhadas de gente maltrapilha e amedrontada; presenciou o pogrom na cidade de Iasi, na Romênia, onde em uma única noite foram chacinados mais de 2 mil judeus; e conheceu as prisioneiras do bordel militar de Soroca, na Bessarábia, meninas de famílias judaicas, bonitas e inocentes, capturadas e exploradas pelos nazistas.

Testemunha ocular da chacina de Iasi, Malaparte também se transformou em personagem e inspirou o escritor norte-americano radicado na França, Samuel Astrachan, a escrever a obra Malaparte in Jassy, publicada em 1989, onde o autor rememora os passos do jornalista, antes e durante o pogrom. Ainda sobre a tragédia de Iasi, o diretor do Instituto do Congresso Judaico Mundial de Jerusalém, professor Laurence Weinbaum, transcreveu trechos de Kaputt em seu trabalho A Banalidade da História e da Memória: A Sociedade Romena e o Holocausto (2006). Especialista em assuntos do Leste Europeu, Weinbaum cita o testemunho de Malaparte ao cobrar do governo da Romênia o reconhecimento oficial de sua participação, ainda que tardio, na matança de 15 mil judeus durante a ocupação nazista.

Fonte: artigo Da Polônia, com Amor, de autoria de Sheila Sacks e publicado em 6 de maio de 2008 no CMI Brasil.