Seu guia brasileiro exclusivo na Europa Oriental

14.8.09

A shtetl de Nova Sulitza

Estive no fim-de-semana passado em Noua Suliţă (Suliţa Târg, Suliţa, Novoselytsya, Новоселиця, Новоселица, Nowoselyzja, Nowosielica, Nowosielitza), na região histórica da Bessarábia, desde 1991 em território da Ucrânia independente, perto da fronteira com a Romênia, onde visitei o imenso e antigo cemitério judaico local [foto do autor].

Às margens do rio Prut, Nova Sulitza foi mencionada documentalmente pela primeira vez em 1456, tendo pertencido ao Principado da Moldávia até 1812. Com a transferência da Bessarábia para o Império Russo, sua metade oriental passou para o domínio russo, ao passo que sua metade ocidental, desde 1775, já pertencia à província austro-húngara da Bucovina.

Em 1905 foi inaugurada a estação de trem local, numa linha existente desde o último quarto do século XIX, e que se transformou no principal ponto de trânsito de couro bovino exportado para o Império Austro-Húngaro. A estação ficou famosa pelo fato de ali o célebre jornalista norte-americano John Reed ter iniciado, em 1915, sua viagem à Rússia para cobrir a Revolução Bolchevique.

Com o fim da I Guerra Mundial, a cidade passou integralmente para a Romênia e, com a II Guerra Mundial, para a União Soviética.

Em 1930, a cidade, segunda maior da província romena de Hotin e importante centro comercial, contava com uma população de 5000 habitantes, dentre os quais cerca de quatro quintos eram judeus Era servida por diversas agências bancárias, um ginásio e um hospital israelitas, uma sinagoga, uma agência dos correios e telégrafos, um liceu comercial, um ginásio industrial, um tribunal, dois cinemas e aeroporto.

Atualmente a cidade conta com pouco mais de 8000 habitantes, dentre os quais cerca de meia dúzia de famílias judias.

21.6.09

Da Bessarábia à Argentina

Quinta-feira, 18 de junho, foi apresentado em Bucareste o filme documentário De Bessarabia a Entre Ríos, do argentino Pedro Banchik, presente ao evento.

Com duração de uma hora e meia, o filme faz um resumo claro da história dos judeus desde a Diáspora, concentrando-se em sua presença na Europa Oriental, sobretudo no Império tzarista e na Romênia.

Esse instrutivo apanhado, que, além dos aspectos políticos e econômicos, aborda também a faceta cultural do povo judaico, permite a Banchik começar a contar a saga de sua própria família, que, assim como inúmeras outras, abandona a Bessarábia e chega à Argentina em 1905 graças ao programa de emigração do Barão de Hirsch, integrando-se perfeitamente à realidade nacional.

18.6.09

Conexão São Paulo - Istambul

A Turkish Airlines começou a operar vôos entre Istambul e São Paulo em 05 de abril de 2009, duas vezes por semana. A partir de 26 de junho deste ano, os vôos terão a freqüência de três vezes por semana.

Tanto na ida como na volta, os passageiros farão escala de apenas uma hora e meia em Dakar (Senegal) para trocar de aeronave.

Dessa maneira, os brasileiros têm mais uma opção para chegar à Romênia. A 450km de Bucareste, o aeroporto de Istambul torna-se agora o mais próximo da capital romena a receber aviões (quase) diretamente do Brasil.

20.5.09

Líder comunista romena

A única mulher romena que foi capa do Time (em 20 de setembro de 1948), Ana Pauker, née Hanna Rabinsohn (1893-1960), neta de um rabino moldavo, foi chamada de “a mais poderosa mulher do mundo” por aquela revista, ao passo que na Romênia foi apelidada de "Stalin de saias". Hoje, raramente lembrada, é vista como mais uma peça na engrenagem do comunismo soviético na Romênia. A biografia de Robert Levy (Ana Pauker, the rise and fall of a Jewish Communist, University of California Press, 2001) transforma dramaticamente essa imagem, revelando uma mulher de força notável, muito mais dominada por conflitos e contradições do que pelo dogmatismo. Contando a história da juventude de Ana Pauker em um ambiente cada vez mais anti-semita, seu compromisso com a luta revolucionária e sua ascensão no movimento comunista romeno, Robert Levy não tenta esconder suas atividades, mas explora todos os contornos de sua personalidade complexa com base em dados encontrados na massa de documentos recentemente revelados.

12.5.09

A saga dos Bloch

A saga dos Bloch, desde Jitomir, na Ucrânia - onde no início do século XX o patriarca Joseph tinha uma gráfica - até o apogeu e a queda de um império de comunicações no Brasil, é narrada com forte veia literária por Arnaldo Bloch. No centro da epopéia, concentrando as qualidades e os defeitos da família, sobressai o caçula dos "irmãos Karamabloch", Adolpho, comandante carismático e tirânico, amigo de presidentes, patrono de artistas, mulherengo, jogador e visionário. Paixões, angústias ancestrais, projetos ambiciosos e lutas fratricidas se sucedem numa narrativa que dá voz aos próprios protagonistas. Com auto-ironia e emoção, Os irmãos Karamabloch (Companhia das Letras, 2008) expõe as luzes e as sombras de uma família que parece saída dos livros.

Fonte: contracapa da obra.

23.4.09

Epelboim

Leia abaixo fragmento de texto autobiográfico assinado por Abrahão Epelboim, retirado do projeto Memórias do Comércio na Cidade do Rio de Janeiro, uma iniciativa do SESC Rio desenvolvida pelo Museu da Pessoa:

Meu nome é Abrahão Joseph Epelboim, nasci em 1935 na cidade do Rio de Janeiro. Meus pais se chamam Saul Epelboim e Ana Epelboim. Tenho uma irmã e seu nome é Rosa Epelboim.

Meus pais chegaram ao Brasil por volta de 1927, fugindo do país de origem. Papai nasceu numa aldeia próxima a Bucareste, na Bessarábia, e mamãe próximo a um lugar sob domínio romeno, também na Bessarábia.

Infelizmente não conheci meus avós porque, sendo de origem israelita, meus pais eram imigrantes fugitivos. Apenas tenho conhecimento dos nomes deles.

Meus pais vieram morar no Rio porque receberam uma “carta de chamado” de um tio por parte de mãe, do qual eu levo o nome como homenagem.

Esse tio faleceu por causas desconhecidas logo depois. Não tinham conhecimento disso, pois ele se ausentou do Brasil, refugiando-se em Montevidéu, e perderam o contato com ele. As famílias de meus pais eram grandes, e durante a Segunda Guerra Mundial foram dizimadas, tanto por parte de papai como de mamãe.

Leia o artigo integral em Um Balcão na Capital. Na foto acima, a família do autor, em Teresópolis, 1970.

15.4.09

O bessarábio Vainer

Filho de imigrantes judeus da Bessarábia (na foto ao lado tirada em Gênova, às vésperas de partir para o Brasil, o pequeno Samuel aparece junto com a família), Samuel Vainer (1912-1980), ou Wainer, chegou ao Brasil ainda bebê, tendo passado a infância em São Paulo e estudado Farmácia no Rio de Janeiro. Abandonou o curso e chegou a vender falsos tapetes persas para sobreviver. Foi casado com Danusa Leão e, a partir de 1964 e nos três anos seguintes, passou a viver no Chile e depois na França por ter sofrido a cassação de seus direitos políticos. Com o exílio, seu jornal Última Hora definhou, e ele teve que vendê-lo em 1971. Posteriormente, passou a assinar a coluna São Paulo, como analista político da Folha de São Paulo.

Vainer foi o único jornalista sul-americano a cobrir o Tribunal de Nuremberg e estava em Jerusalém quando foi decidida a criação do Estado de Israel.

Sua autobiografia encontra-se registrada em Minha Razão de Viver (editora Planeta, 2005).

Fonte: Memorial da Fama