Seu guia brasileiro exclusivo na Europa Oriental

5.12.09

Hotin

Numa posição privilegiada às margens do rio Dniester, Hotin (Chotyn, Chocim, Khotyn, Хотин) logo tornou-se um importante centro comercial, conhecido sobretudo pela fortaleza militar (foto), palco de sangrentos confrontos entre moldavos, turcos, austríacos e poloneses, que hoje pode ser visitada por turistas.

No passado, a cidade pertenceu ao Principado da Moldávia (1359-1812), à Bessarábia do Império Tzarista (1812-1917), à República Democrática Moldava (1917-1918), ao Reino da Romênia (1918-1940, 1941-1944) e à União Soviética (1940-1941, 1944-1991), hoje fazendo parte da região administrativa ucraniana de Chernivtsi.

Em 1897, somava 23.800 habitantes. Sua maior parte era formada por judeus e russos. É possível que os judeus tenham começado a se instalar na cidade já no século XV, a convite do príncipe moldavo Estêvão o Grande, que, interessado em desenvolver a economia do país, chamou significativas comunidades de judeus, armênios e gregos.

Após a I Guerra Mundial, Hotin se tornou a cidade mais setentrional da Romênia, a 283 km de Chisinau e a 554 km de Bucareste.

Em 1930, Hotin contava com 15.287 habitantes, dos quais 37,7% judeus, 36,6% russos, 14,8% ucranianos e 8,8% romenos. Embora industrializada, a cidade, por não estar conectada à malha ferroviária, transformou-se num centro de trocas para obter produtos dos vilarejos próximos: cereais, animais e produtos animais.

Em Hotin funcionavam 1 usina elétrica, 1 cervejaria, 1 fábrica de aguardente, 5 fábricas de óleo, 2 fábricas de confeitos, 1 fábrica de sabão, 12 moinhos, 1 pedreira de calcário, 3 fábricas de tijolos, 1 abatedouro, 7 agências bancárias, 1 hospital israelita e 17 sinagogas.

O regime soviético impôs modificações na composição étnica da cidade. Em 1959, sua população era formada por 72% ucranianos, 16% russos, 8% judeus e 4% romenos. Ao passo que a população romena foi deportada por ordens de Stalin em 1940 para o Cazaquistão, grande parte da população judaica foi exterminada durante a II Guerra.

Estima-se que em 2007 a cidade contava com 10.438 habitantes, dentre os quais cerca de apenas 10 judeus.

27.8.09

A cidade das 5 línguas

Em 25 de julho visitei novamente Cernăuţi (Чернівці, Czerniowce, Czernowitz, Tschernowitz, Chernivtsi), antiga capital da Bucovina (1775-1918), província mais oriental do Império Austro-Húngaro, atualmente, junto com Lviv, na antiga Galícia, principal centro cultural da Ucrânia ocidental. Apelidada como Pequena Viena, a cidade ainda mantém viva a atmosfera austríaca, sobretudo graças às obras realizadas para comemorar, em 2008, os 600 anos da sua primeira menção documental. Na foto [do autor], a cinegoga, como é popularmente conhecida a sala de cinema instalada no antigo prédio da sinagoga central, um dos contundentes testemunhos da antiga presença judaica.
Com o fim da I Guerra, Cernauti passou a integrar o território da Romênia. Conforme os dados do censo de 1930, dos 113 mil habitantes dessa cidade, possivelmente a mais multiétnica da Europa Centro-Oriental, 43 mil eram judeus que viviam em harmonia com romenos, alemães, ucranianos e poloneses. Mais da metade da população judaica foi dizimada durante a II Guerra pelo regime do Marechal Antonescu, em colaboração com a Alemanha nazista. Com a instauração do regime soviético em 1944, quando a parte setentrional da Bucovina passou a fazer parte da República Socialista Soviética da Ucrânia, judeus, alemães, romenos, poloneses e ucranianos foram deportados, a cidade tendo sido repopulada com cidadãos profundamente ligados à cultura russa, oriundos de diferentes regiões da União Soviética.

A população atual, conforme o censo de 2001, soma 240 mil habitantes, dentre os quais 1.300 judeus. Ao longo de sua história, a cidade acolheu e deu origem a grandes personalidades de origem judaica, tais como Rose Ausländer, Paul Celan, Joseph Schmidt, Karl Emil Franzos, Abraham Goldfaden, Nathan Birnbaum, Alfred Margul-Sperber, Wilhelm Reich e Joseph Schumpeter.

A 35km de Siret, na fronteira romena, a cidade e seus arredores constituem importante atração turística, com inúmeros monumentos históricos que testemunham seu rico passado multicultural.

14.8.09

A shtetl de Nova Sulitza

Estive no fim-de-semana passado em Noua Suliţă (Suliţa Târg, Suliţa, Novoselytsya, Новоселиця, Новоселица, Nowoselyzja, Nowosielica, Nowosielitza), na região histórica da Bessarábia, desde 1991 em território da Ucrânia independente, perto da fronteira com a Romênia, onde visitei o imenso e antigo cemitério judaico local [foto do autor].

Às margens do rio Prut, Nova Sulitza foi mencionada documentalmente pela primeira vez em 1456, tendo pertencido ao Principado da Moldávia até 1812. Com a transferência da Bessarábia para o Império Russo, sua metade oriental passou para o domínio russo, ao passo que sua metade ocidental, desde 1775, já pertencia à província austro-húngara da Bucovina.

Em 1905 foi inaugurada a estação de trem local, numa linha existente desde o último quarto do século XIX, e que se transformou no principal ponto de trânsito de couro bovino exportado para o Império Austro-Húngaro. A estação ficou famosa pelo fato de ali o célebre jornalista norte-americano John Reed ter iniciado, em 1915, sua viagem à Rússia para cobrir a Revolução Bolchevique.

Com o fim da I Guerra Mundial, a cidade passou integralmente para a Romênia e, com a II Guerra Mundial, para a União Soviética.

Em 1930, a cidade, segunda maior da província romena de Hotin e importante centro comercial, contava com uma população de 5000 habitantes, dentre os quais cerca de quatro quintos eram judeus Era servida por diversas agências bancárias, um ginásio e um hospital israelitas, uma sinagoga, uma agência dos correios e telégrafos, um liceu comercial, um ginásio industrial, um tribunal, dois cinemas e aeroporto.

Atualmente a cidade conta com pouco mais de 8000 habitantes, dentre os quais cerca de meia dúzia de famílias judias.

21.6.09

Da Bessarábia à Argentina

Quinta-feira, 18 de junho, foi apresentado em Bucareste o filme documentário De Bessarabia a Entre Ríos, do argentino Pedro Banchik, presente ao evento.

Com duração de uma hora e meia, o filme faz um resumo claro da história dos judeus desde a Diáspora, concentrando-se em sua presença na Europa Oriental, sobretudo no Império tzarista e na Romênia.

Esse instrutivo apanhado, que, além dos aspectos políticos e econômicos, aborda também a faceta cultural do povo judaico, permite a Banchik começar a contar a saga de sua própria família, que, assim como inúmeras outras, abandona a Bessarábia e chega à Argentina em 1905 graças ao programa de emigração do Barão de Hirsch, integrando-se perfeitamente à realidade nacional.

18.6.09

Conexão São Paulo - Istambul

A Turkish Airlines começou a operar vôos entre Istambul e São Paulo em 05 de abril de 2009, duas vezes por semana. A partir de 26 de junho deste ano, os vôos terão a freqüência de três vezes por semana.

Tanto na ida como na volta, os passageiros farão escala de apenas uma hora e meia em Dakar (Senegal) para trocar de aeronave.

Dessa maneira, os brasileiros têm mais uma opção para chegar à Romênia. A 450km de Bucareste, o aeroporto de Istambul torna-se agora o mais próximo da capital romena a receber aviões (quase) diretamente do Brasil.

20.5.09

Líder comunista romena

A única mulher romena que foi capa do Time (em 20 de setembro de 1948), Ana Pauker, née Hanna Rabinsohn (1893-1960), neta de um rabino moldavo, foi chamada de “a mais poderosa mulher do mundo” por aquela revista, ao passo que na Romênia foi apelidada de "Stalin de saias". Hoje, raramente lembrada, é vista como mais uma peça na engrenagem do comunismo soviético na Romênia. A biografia de Robert Levy (Ana Pauker, the rise and fall of a Jewish Communist, University of California Press, 2001) transforma dramaticamente essa imagem, revelando uma mulher de força notável, muito mais dominada por conflitos e contradições do que pelo dogmatismo. Contando a história da juventude de Ana Pauker em um ambiente cada vez mais anti-semita, seu compromisso com a luta revolucionária e sua ascensão no movimento comunista romeno, Robert Levy não tenta esconder suas atividades, mas explora todos os contornos de sua personalidade complexa com base em dados encontrados na massa de documentos recentemente revelados.

12.5.09

A saga dos Bloch

A saga dos Bloch, desde Jitomir, na Ucrânia - onde no início do século XX o patriarca Joseph tinha uma gráfica - até o apogeu e a queda de um império de comunicações no Brasil, é narrada com forte veia literária por Arnaldo Bloch. No centro da epopéia, concentrando as qualidades e os defeitos da família, sobressai o caçula dos "irmãos Karamabloch", Adolpho, comandante carismático e tirânico, amigo de presidentes, patrono de artistas, mulherengo, jogador e visionário. Paixões, angústias ancestrais, projetos ambiciosos e lutas fratricidas se sucedem numa narrativa que dá voz aos próprios protagonistas. Com auto-ironia e emoção, Os irmãos Karamabloch (Companhia das Letras, 2008) expõe as luzes e as sombras de uma família que parece saída dos livros.

Fonte: contracapa da obra.