Seu guia brasileiro exclusivo na Europa Oriental

26.6.08

Doutor Tabacof da Bahia

O lançamento do livro Memórias de um médico de corações – uma ode ao trabalho, do decano dos cardiologistas baianos, Doutor Rubem Tabacof, ocorreu em 03 de junho de 2008, no saguão da Associação Baiana de Medicina, em Salvador. A obra chega ao público com o selo da Editora da Universidade Federal da Bahia.

O livro é a reunião de memórias do autor, nascido em 1917 na Bessarábia e que chegou à Bahia em 1924. Com 90 anos de vida - dos quais 64 são dedicados à atividade ininterrupta - encerra a vida profissional contando o que fez e como fez através dessa autobiografia. Possui um relato leve, autêntico e habilmente escrito revelando uma vida que foi difícil, árdua, com dificuldades que às vezes pareciam intransponíveis.


17.6.08

Rosenzweig

Reproduzo, a seguir, fragmentos do artigo Seu Ully sobreviveu ao holocausto, mas não à violência do Rio, escrito por Jorge Antonio Barros e publicado em 29 de maio de 2008 em O Globo Online.

O judeu romeno Ulrich Rosenzweig, de 85 anos, chegou ao Rio há 60 anos, no pós-guerra, com uma mão na frente e outra atrás. Não tinha família, não tinha ninguém. Nem sabia falar o português. Só ele, sua fé no Deus de Israel e uma resistência à toda prova. Trazia no corpo a marca da Segunda Guerra com a qual conviveu até o fim da vida - um estilhaço de granada numa das pernas, resultado de uma das escaramuças vividas como combatente do Exército vermelho, em cujas fileiras havia ingressado para escapar de um campo de concentração nazista na Ucrânia. Ou era o campo de concentração ou entrar para o Exército russo.

Logo que se estabilizou foi buscar os pais na Ucrânia e uma irmã, Netty Maidantchik, de 66 anos, que à época tinha apenas 12 anos e já era uma das prisoneiras do campo de concentração nazista em Moguilof, na Ucrânia. Quando seu Ully chegou ao Rio, em 1948, a cidade ainda não havia passado por seu grande "boom" de crescimento, pós-êxodo rural. Ele veio em companhia de alguns amigos judeus que estavam em busca de parentes, como Nathan Kimelblat, que depois fundou a joalheria Nathan. Com a profissão de vendedor ambulante ("clintelt", em iídiche, o dialeto judaico), seu Ully vendia jóias de casa em casa, pelo Centro do Rio. Mais tarde trabalhou em tudo um pouco.

Seu Ully, como era conhecido pela família e pela vizinhança do Arpoador - onde morava - era duro na queda, embora seu sobrenome em alemão signifique "galho de rosa". Ele venceu o nazismo, o comunismo, a Segunda Grande Guerra, o medo e a solidão. Só foi derrotado pela violência do Rio de Janeiro. Morreu na tarde de terça-feira passada com um tiro no peito disparado por um assaltante que acabara de roubar R$ 9.800,00 do contínuo da empresa dele.

30.5.08

Mucinic de Hotin

Reproduzo, abaixo, trechos do artigo Israel Mucinic: de Khotin à conquista de Beer-Sheva, escrito por Hélio Daniel Cordeiro e publicado no número 01, de abril/maio de 1997, da revista Judaica, sobre Israel Sam Mucinic, nascido em 9 de maio de 1923 em Hotin, Bessarábia, cidade atualmente na Ucrânia, e falecido em 12 de março de 1997 em São Paulo:

"A cidade tinha metade de sua população judia até a Segunda Guerra Mundial e era disputada por russos, romenos, moldavos e ucranianos. Detalhe à parte: em Khotin também nasceu o advogado e historiador Elias Lipiner, cuja obra histórica sobre os judeus portugueses é das mais completas nos círculos acadêmicos de todo o mundo. O destino aproximou de forma muito curiosa Israel (como todos o chamavam) de seu conterrâneo Lipiner, nascido 16 anos antes. Ambos tinham escritórios lado a lado no mesmo antigo edifício Palacete Luz, número 39 da Rua Prates, no Bom Retiro (onde também nasceu a revista JUDAICA). Desde 1968 Lipiner vive com a família no Estado judeu.

Em Khotin Israel viu a chegada das tropas nazistas durante a Segunda Guerra e a adesão imediada dos romenos em favor dos alemães. Não chegou a ser deportado para campos de concentração, mas com outros correligionários prestou serviços forçados para a companhia Krumpf. Recordava com satisfação que 'a única ponte que construímos foi imediatamente destruída pelos russos depois de pronta.' Durante aqueles anos terríveis de guerra os judeus padeciam nas mãos dos nazistas e seus simpatizantes romenos de terríveis humilhações, subnutrição e doenças acompanhados de invernos de até 30 graus negativos. Poucos sobreviveram à somatória destas condições."

3.4.08

Apsan de Sighet

Reproduzo, abaixo, trechos da entrevista Por Dentro da Operação Kasztner, concedida em São Paulo por Arnon Apsan a Hélio Daniel Cordeiro e publicada no número 44, de abril de 2001, da revista Judaica:

"Apsan nasceu em 1927 na cidadezinha de Sighet na Transilvânia, região montanhosa e de muitas guerras bastante conhecida pelas histórias do conde Vlad Tepes (o Drácula), que até 1940 pertencia à Romênia, foi conquistada pela Hungria com apoio alemão de 1940-45 e depois voltou para a Romênia com apoio russo. A personalidade mais conhecida de Sighet é Elie Wiesel, escritor e prêmio Nobel da Paz, radicado nos EUA, que foi colega de escola de nosso entrevistado.

A população judaica de Sighet falava o húngaro e o romeno, mas principalmente o iídiche. Ortodoxos, moderados e sionistas davam a diversidade ideológica que sempre marcou os judeus. Em Sighet havia pelo menos dez sinagogas maiores, uma sefaradi, inclusive. A convivência dos judeus com húngaros e romenos era pacífica. "Eu diria que quando o comando esteve sob autoridade romena, a amizade era maior. Os húngaros, sempre aliados dos alemães, eram mais anti-semitas." - constata.

Os grupos sionistas de Sighet reuniam-se aos domingos na montanha Solovan, perto da cidadezinha. Ali cantavam canções em hebraico e sonhavam com Jerusalém."

Fonte: Revista Judaica

2.3.08

Casal bessarábio no Rio

As Seis Pontas da Estrela, romance de Zevi Ghivelder publicado em 2003 pela editora Arx, aborda a vinda dos judeus para o Brasil nas décadas de 1920 e 1930. O autor fala das dificuldades pelas quais esse povo passou na nova terra, a luta por sua sobrevivência, dignidade e, principalmente, liberdade. Certamente um relato importante sobre um período marcante da história mundial. O romance fala do casal Jankiel e Sara Grinman, que desembarcou no Rio de Janeiro, vindo da Bessarábia. Eles alimentavam muitos sonhos com relação à nova vida que teriam e, com o nascimento de Marcos, no Brasil, filho único do casal, a realidade se mostrou outra.

1.3.08

Judeus brasileiros guerreando na Espanha e na França

O Professor Henrique Samet, da Faculdade de Letras da UFRJ, publicou na edição de outubro de 2004 da Revista Espaço Acadêmico o artigo Non passaran olvidados: Judeus do Brasil na Guerra Civil Espanhola e Resistência Francesa:

"A Guerra Civil Espanhola (1936-1939) atrai a atenção de historiadores de nacionalidades diversas não só por ter sido a antevéspera de uma conflagração maior mas porque envolveu cidadãos de muitas origens, agrupados nas famosas Brigadas Internacionais, um chamado e recrutamento de voluntários patrocinados pela esquerda, principalmente, a comunista, para combater ao lado das forças republicanas em luta contra o franquismo.

Já existem trabalhos acadêmicos, teses, artigos, e memórias, abordando a específica participação de brasileiros nesta empreitada perdida que mobilizou sonhadores idealistas, românticos, aventureiros e revolucionários.

No entanto, como seria de se esperar, a ênfase temática é dada ao grupo majoritário, basicamente 14 militares e 2 civis brasileiros, que, reprimido o levante de 35, ameaçados de cadeia, com penas a cumprir e sem uma perspectiva breve de mudança de rumos na política nacional, optaram e foram incentivados a transportar o ardor de seus ideais para outras paragens. En passant, mencionam, sem agregá-los a conta de brasileiros (16), um número ainda não especificado de judeus, então residentes no Brasil, (talvez mais que 6 e certamente 4), que, expulsos do país, ou achando conveniente dele se retirarem, após o levante de 35 e prisões, também fizeram esta opção e foram levados a se defrontar diretamente não só com o franquismo espanhol mas, posteriormente com os nazistas em terras francesas. De certa forma, junto com o grupo maior de nacionais foram os pré-pracinhas brasileiros mas com três 'agravantes': eram comunistas, judeus e partisans."

Leia aqui o artigo completo, que menciona, entre outros, judeus de origem romena tais como Reutberg, Lipes, Gandelsman, Gutnik, Hachternwacker, Garfunkel, Zibenberk, Smoritchersky e Krichner.


26.2.08

Judeus da Leopoldina

A jornalista carioca Heliete Vaitsman publicou um livro reunindo pesquisas realizadas pelo Museu Judaico do Rio de Janeiro junto a antigos moradores dos bairros servidos pela Estrada de Ferro Leopoldina. O livro constitui documento de grande valor histórico, resgatando a saga de imigrantes judeus que, escapando da miséria e do crescente anti-semitismo da Europa, conseguiram um novo lar no Rio de Janeiro da primeira metade do século XX. Judeus da Leopoldina, editado pelo Museu Judaico do Rio de Janeiro com o apoio de Max Paskin e com apresentação assinada por Moacyr Scliar, foi lançado em 15 de janeiro de 2007 e menciona vários emigrantes judeus de famílias romenas, tais como Koifman, Zuchen e Vainboim.